Numa altura em que a inteligência artificial está a avançar mais rapidamente do que a capacidade da sociedade para compreender plenamente as suas implicações, no mês de maio de 2026, a Global Enabling Sustainability Initiative (GeSI) e a Re-Imagine Europa (RIE) lançaram oficialmente a Rede Global de Impacto da IA (GAIN) em Lisboa.
A iniciativa responde a uma realidade global crescente: a par do entusiasmo em torno do potencial da IA, há também uma incerteza e uma preocupação crescentes. As questões sobre o futuro do trabalho, o papel dos seres humanos numa economia impulsionada pela IA e a procura crescente de energia e recursos informáticos estão a tornar-se mais urgentes.
A GAIN foi concebida para dar resposta a estas preocupações — não travando a inovação, mas ajudando a moldar a sua direção. Na sua essência, a iniciativa procura garantir que a IA seja desenvolvida e implementada de forma a servir as pessoas, fortalecer as sociedades e apoiar a resiliência a longo prazo em setores relevantes, tais como o agroalimentar, as cidades, as TIC, a indústria transformadora, a energia, a mobilidade, os serviços públicos e a informação e comunicação digital, a aprendizagem ao longo da vida ou os meios de comunicação social.
A Rede reunirá decisores políticos, líderes do setor, especialistas, o meio académico e a sociedade civil para construir uma visão comum sobre a IA — uma visão que equilibre a competitividade com a responsabilidade, a inovação com a confiança e o progresso global com os valores humanos.
O projeto centrar-se-á na tradução de debates complexos em orientações práticas e diretrizes exequíveis, combinando previsão estratégica, análise narrativa, envolvimento das partes interessadas e casos de utilização no mundo real. Explorará a forma como a IA pode ser aplicada em setores-chave para gerar um impacto tangível. Um dos principais resultados será um relatório estratégico sobre soluções baseadas na IA na Europa e além-fronteiras, apoiado por consultas globais e contribuições de especialistas, com o objetivo de ajudar a Europa a passar de discussões fragmentadas para uma abordagem mais coerente e confiante em relação à IA.
Maria João Rodrigues, presidente do Conselho Consultivo da Re-Imagine Europa, acrescentou: «Numa era de rivalidades geopolíticas que também recorrem a instrumentos digitais, a Europa deve desenvolver o seu próprio caminho para a transformação digital, procurando, ao mesmo tempo, reforçar a cooperação internacional. Precisamos de uma arquitetura global que permita abordagens descentralizadas e adaptadas às necessidades específicas, mas que, simultaneamente, nos permita trabalhar em conjunto para concretizar um novo modelo de crescimento sustentável e uma civilização digital centrada no ser humano».